terça-feira, 11 de junho de 2019

SEU RETORNO E PRISÕES

"Jango precisando resolver problemas de suas propriedades no Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, e por me considerar amigo e homem de sua confiança, chegou momento de fazer uma viagem de risco, viajei de ônibus para a cidade uruguaia de Rivera, fronteira com Livramento-RS, decidido a continuar atravessei caminhando pro lado brasileiro e comprei uma passagem de ônibus para Porto Alegre".
"Ao ter certeza que meu nome constava em todas as listas como inimigo do regime implantado, ao chegar em Porto Alegre fui detido, tive que prestar depoimento no QG do III exército, sendo interrogado pelo coronel Telmo Azambuja, fiquei no QG das 9h até às 12h".
"O serviço secreto do exército sabia tudo a respeito do presidente , pensei que ficaria preso, ao ser  liberado  fui para Santos-SP, onde comprei um apartamento no bairro do Gonzaga, canal três, meus filhos Paulo e Laquito foram morar com a governanta dona Arlinda considerada uma pessoa da família, minha esposa e os outros dois filhos ficaram morando comigo em Montevidéu".
"Escolhi Santos por ser litoral, além de ficar mais perto de Mato Grosso e Rio de Janeiro, e por ser a metade do caminho para  ficar cuidando das propriedades de Jango, ao voltar para Montevidéu, a mulher Odila e os outros dois  filhos, Vera e Ivan  vieram com a mudança de navio para Santos, assim tinha motivos para voltar ao Brasil.
"Na segunda tentativa de voltar ao Brasil pela fronteira Rivera com Livramento-RS, achando que o controle não estava rigoroso, comprei uma passagem aérea e já dentro do avião da Varig, quando entrou um sargento do exército, pensei me dei mal, ao se aproximar ordenou, desça, o sr. está preso".
"Perguntei a ele o que tinha havido?
"O sr. sabe, desça imediatamente," sai do avião preso e me levaram para o 8° regimento e depois fui levado para o 7° nos arredores de Livramento, me deixaram esperando das 8 h. as 23 horas, até que me chamaram para o interrogatório, me acusaram de pombo-correio do ex-presidente João Goulart, revistaram a mim e a minha mala e nada foi encontrado".
"Jamais podia imaginar que um oficial digno, foi seguro, coerente e honesto, ele não me viu como adversário político e sim como um cidadão brasileiro, no comando daquela unidade".
"Ele reuniu os oficiais e me apresentou, que eu era amigo do ex-presidente João Goulart, e vivia no exílio em Montevidéu, e que merecia todo respeito por ser um brasileiro, e não ia admitir que faltassem com respeito comigo".

"Eles queriam que eu falasse sobre a vida do presidente no exílio, e insinuaram que Jango conspirava contra o regime militar, respondi que não era verdade, e que o presidente João Goulart sempre foi um ser humano, não era revanchista e de índole pacífica, reagi com veemência que não denegrissem sua imagem, como já vinham fazendo, e que logo após o golpe militar ele evitou uma guerra civil e o derramamento de sangue entre os irmãos, e que não daria qualquer informação de sua vida no exílio.
Aquele Oficial digno me trataria com civilidade, me falou que logo estaria em liberdade, depois quis que me levassem ao hotel no centro da cidade  no automóvel do comando, agradeci ao Oficial digno que não iria utilizar um automóvel militar, ele compreendeu minha atitude e mandou que chamassem um táxi ao quartel para me levar ao hotel".
"Foi emitido um salvo-conduto em mãos, assinado pelo Coronel  Geraldo Knaak de Souza, comandante da  Guarnição Militar de Livramento.
Ministério da Guerra
   III Exército
 3° R.M. - 2 D.C.
 7° Regimento de Cavalaria.
Livramento, 14 de Setembro de 1965.
Está liberado por este Comando, para viajar para Porto Alegre, no avião da Varig, do dia 15 (quinze),   de Setembro, o cidadão, Manoel Soares Leães.                                                                                         Consegui seguir viagem para Porto Alegre sem problemas".
Em princípio de 1965 foi preso e conduzido ao Quartel General do III Exército, onde ficou detido das 9 h as 22 horas, prestou depoimento perante ao então coronel hoje general Telmo Azambuja, na reserva.
Maneco Leães ao ser detido pelo capitão Duro em 21/07/1965, e levado ao quartel do I/ 18° Regimento de Infantaria onde permaneceu detido das 9h. as 15 horas, prestando declarações perante o encarregado do IPM-Inquérito Policial Militar, coronel Geraldo Alvarenga Navarro.
Manoel Soares Leães solicitou anistia, conforme Diário Oficial da União, de 29 de Abril de 1980.
No dia 6 de Dezembro de 1964''
Em 1966 na cidade de São Borja, foi preso pelo capitão Nadir e pelo delegado de polícia, recolhido ao quartel do 2° Regimento de Cavalaria Mecanizada, onde permaneceu prestando declarações escritas de próprio punho das 20h as 18 horas do dia seguinte.
Ao pretender embarcar para Montevidéu-ROU, no aeroporto Salgado Filho- POA, foi detido pela Polícia Federal. Jornal Zero Hora de 08/05/1971, pag. 2.
Agência de Brasileira de Inteligência-ABIN- Brasília-DF.
Em 7 de Maio de 1971, Manoel Soares Leães, homem de confiança seu procurador e administrador de suas propriedades, no Rio de Janeiro, Mato Grosso, São Paulo e Porto Alegre,tendo em vistas suas constantes viagens a esses Estados, , ao voltar para Montevidéu-ROU, é preso por agentes da Policia Federal (DPF), o jornal Zero Hora de Porto Alegre, publicou nota dizendo que o piloto do ex-Presidente João Goulart, foi detido no Aeroporto Salgado Fillho ao tentar embarcar para Montevidéu/ROU.
Passou a administrar seus negócios no Brasil.
Conforme certidão n°2907 de 2004-ABIN.
Manoel Soares Leães foi indiciado no IPM-Inquérito Policial Militar, instaurado por determinação do comandante do III Exército, através da portaria n°2-Aj 8 de 06/04/1965.
O encarregado do IPM concluiu que Manoel Soares Leães tinha morado em Montevidéu-ROU, bairro Pocitos, e mantido contatos com exilados, em particular com Leonel Brizola e o ex-Presidente da Republica João Goulart, de quem recebeu auxílio para sua manutenção, nenhum fato ficou devidamente apurado que o incriminasse como elemento subversivo.
"Ao sentir que a ditadura militar não me via como um subversivo perigoso, de tempos em tempos eu ia  a Santos visitar meus filhos, em viagens que terminavam quase sempre na fazenda Três Marias-MT.                                                         
                                        Maneco em frente a sede da fazenda Tres Marias-MT

Manoel Leães após o café da manhã, saia com o capataz Carmindo e o peão, para conferir os gados  da raça Nelori do ex-presidente João Goulart.
                                          Maneco (C), capataz Carmindo (D), e o peão.

Ao retornar perto do meio dia, era servido o almoço e Maneco ia descançar porque voltava exausto na lida do campo, "a tarde eu e meu filho Laquito saiamos para pescar".

                         Piloteiro Maneco e Laquito, subindo o rio Itiquira para uma pescaria de pacu.

Durante a pesca no rio Itiquira, atrás Maneco e Laquito. 

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